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Unidade na Pluralidade

Estudos
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Max Weber V: O Direito e o Capitalismo


Weber se interessa pela relação entre a racionalidade jurídica formal e o sistema moderno de produção capitalista, pois considera que ambos interagem sem uma primazia causal entre si (agnosticismo causal).
Essas instituições têm em comum premissas semelhantes e um ideal normativo.

A questão da causalidade – Inglaterra
O common law era um sistema irracional, o que sugeriria que a racionalidade jurídica não possuía um sentido causal em relação ao desenvolvimento do capitalismo; esse sistema jurídico era, porém, altamente formal, o que explicava a sua influência estabilizadora sobre a economia.
A organização da profissão dos advogados, que atuavam como conselheiros nas questões comerciais, modelou o direito para favorecer estes clientes.
A educação jurídica era predominantemente prática, fazendo com que os advogados ficassem em contato com os interesses dos clientes comerciais.
Esses fatores demonstram que, apesar de irracional, o sistema inglês possuía a previsibilidade necessária para que se salvaguardassem os interesses dos empresários.
Apesar disso, sugere que o máximo de previsibilidade econômica somente é possível com um direito sistematizado, racional e formal.

O agnosticismo causal de Weber
Ele nega a primazia causal na relação entre direito e economia.
São três as maneiras em que o direito pode influenciar a economia.
1 – Como um sistema de proteção de direitos individuais (contratos).
2 - Criação de técnicas e conceitos para o desenvolvimento da organização econômica (pessoa jurídica).
3 – Estimular certas práticas econômicas (isenções).
Reconhece que o direito a serviço do comércio tornou-se um novo direito, apesar de afirmar que isso pode ter acontecido por uma influência indireta.
A ordem econômica não exerce grande influência sobre a vida econômica, pois o capitalismo se desenvolveu tanto na Inglaterra como no Continente.

Racionalidade formal na ação econômica
Há dois tipos de comportamentos econômicos:
1 – A gestão patrimonial se preocupa com a satisfação de vontades ou necessidades;
2 – A atividade aquisitiva é voltada para adquirir novos poderes de controles sobre mercadorias.
Esses dois comportamentos podem assumir formas racionais, ou seja, podem ser previsíveis, reduzindo custos e riscos.
A racionalidade é material se a atividade tende a promover valores considerados importantes.
Algumas condições materiais são importantes para se atingir o grau máximo de racionalidade econômica formal:
1 – A possibilidade de se calcular o valor das mercadorias permite determinar a eficiência de processos de produção e padrões de consumo.
2 – Universalidade do direito de propriedade sobre as utilidades.
3 – Mão de obra livre e excluída da posse dos meios de produção.

Ou seja, um cálculo preciso só é possível com a mão de obra livre.

M.O. livre e Personalidade Jurídica
As pessoas podem possuir coisas, mas não outras pessoas. É uma “democratização do conceito de personalidade jurídica”.
Pessoas são capazes de agir de acordo com uma concepção de regra: ação proposital e reivindicação de propriedade.
A mão de obra livre pressupõe que todos sejam pessoas e não coisas.
Os contratos-status baseiam-se na premissa de que alguns homens possuem determinadas qualidades que os diferenciem de outros homens.
Os contratus-função baseiam-se na concepção de homem como vontade. Na capacidade de agir intencionalmente.

Expropriação da mão de obra dos meios de produção
Mão de obra livre no sentido positivo: não apropriação dos trabalhadores pelos proprietários; em sentido negativo: a mão de obra está afastada da propriedade dos meios de produção.
O aspecto negativo decorre da necessidade de livre iniciativa do empreendedor e é pré-requisito da produção capitalista. Apesar de produzir ambientes irracionalmente autoritários.
É dessa dualidade que emerge a discussão entre o socialismo e o capitalismo.
A diminuição da disciplina, do autoritarismo, compensa a perda do racionalismo formal que a mudança dos direitos de propriedade acarretaria?
Tanto o capitalismo como o socialismo acolhem o aspecto positivo da mão de obra livre. É em relação ao aspecto negativo que ambos discordam: a expropriação dos trabalhadores em relação aos meios de produção.

(fichamento)
KRONMAN, Anthony. Max Weber, Tradução de John Milton, com colaboração de Paula D. N. Esperança e revisão de Carla H. Bevilacqua. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
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Max Weber IV

A resposta para explicar por que a sociedade permanece unida surge na Sociologia Política, nos conceitos de Poder e Domínio.
Entende-se por Poder a possibilidade de impor a vontade mesmo que haja resistência; e domínio é a obediência livre e espontânea a uma autoridade específica.
Há três tipos de domínio:
1. Tradicional - vinculado ao tipo de móbil que dá origem para a ação, é realizada pelo costume, respeito pelas autoridades que se impõem. Fragiliza-se no final da idade moderna, época em que há grande contestação da autoridade historicamente constituída.
2. Carismático - não só pelo respeito, mas como também pela admiração, pelo afeto, carisma. A personalidade do líder é fundamental. É um tipo de domínio que vem e vai no tempo e seu surgimento é imprevisível. O grande problema se dá no momento de sua sucessão. Baixa eficácia.
3. Racional
3.1. Com respeito a valores – a obediência se dá pela relação dos valores do indivíduo com as de seu domínio. Gera sempre contradições e tem baixa eficácia.
3.2. Com respeito a fins – razão calculista instrumental que aparece na modernidade como domínio jurídico burocrático – funções estritamente definidas, seleção por mérito pessoal e de acordo com especialização técnica. Profunda impessoalidade no exercício das funções. Esse domínio burocrático é controlado juridicamente.

Por isso a modernidade não pode ser considerada como um incremento de liberdades individuais, pois a burocracia se instaura em cada vez mais esferas de relação entre as pessoas, e tira a espontaneidade de suas ações.
Weber faz um diagnóstico pessimista uma vez que esse seria um processo irreversível (perda de sentido e perda de liberdade), pois a partir do momento em que a sociedade começa a se especializar, a única forma de mantê-la unificada é através de uma burocracia que tira cada vez mais a espontaneidade das ações das pessoas. Não há mais uma compreensão global da existência, pois ninguém mais tem a pretensão de compreender.
Constata uma afinidade eletiva entre a Burocracia e o Direito Racional como uma maneira de obter respostas previsíveis para as dúvidas da sociedade, o direito processual é expandido, e a característica deste direito formal tem como característica não incorporar juízos valorativos. Essa união forma o tipo de domínio jurídico burocrático.

(das aulas do professor Felipe Gonçalves Silva.).
primeiro, anterior
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Max Weber III

Religião – Tese do Descontentamento do Mundo.
O papel da religião para Weber, criada em uma tese que passará a orientar toda grande parte de sua obra a partir daí, é o Desencantamento do Mundo(Desmagificação do mundo).
O deslocamento da religião: a religião deixa de ocupar uma posição hegemônica na explicação do mundo, e também há uma desilusão no mundo. Um mundo desencantado seria um mundo frio e monótono. Um mundo mágico seria um mundo habitado por homens, deuses, entidades míticas, espíritos e nesse mundo de um lado os espíritos são influenciados divinamente, e por sua vez os homens também poderiam manipular a vontade divina e influenciá-la. A ação dos indivíduos, portanto, está influenciada por esses espíritos e são manipulados para a obtenção de um resultado.
Weber possui uma metodologia de análise sociológica que parte da compreensão da visão dos atores particulares num determinado momento histórico. É preciso entender a superação desse modelo de mundo mágico para compreender o processo de racionalização do mundo.
A visão mágica bloqueava o avanço do conhecimento técnico científico, pelas suas respostas quase sempre ligadas as vontades das divindades, e isso impedia o domínio pleno da natureza.

Religião, porém, não se confunde com magia, pois, segundo Weber, as religiões sempre delimitam a separação do mundo das entidades e do mundo dos homens.
1. Toda religião produz uma eticização dos deuses, no mundo mágico os deuses são considerados deuses funcionais, nem bons nem maus, não existe critério ético que os diferencie.
2. Toda religião teria um código de condutas éticas que devem ser respeitadas pelos fiéis.
3. Há uma intelectualização do sagrado, a maior parte das religiões vem acompanhadas de um texto complexo, o que acaba com os sacerdotes populares (bruxas, feiticeiras).
As religiões passam a ocupar um lugar hegemônico que antes era do mundo mágico e a descrever sua explicação de mundo formando um monopólio do saber.

Os três principais ramos do saber para Kant, seriam a busca pela verdade, pelo justo e pelo belo. E nenhum desses aspectos poderia ser desvinculado da visão religiosa.
O deslocamento da magia pela religião desbloquearia alguns potenciais de racionalização, pois antes desse deslocamento não havia como produzir uma ciência, uma vez que as respostas eram fixas pela resposta divina.
Ocorre então o deslocamento da magia, dando lugar à religião, que por sua vez será deslocada pela ciência, fazendo com que os ramos do saber que eram unidos por uma explicação única dada pela religião se dissociem dela. Esse deslocamento cria uma sociedade altamente diferenciada, e as diferentes esferas do saber se dividem e se transformam em universos singulares autônomos, distintos e com regras próprias.

Haveria um ganho de liberdades individuais, e uma produção maior de conhecimento em relação a si próprio, porém, o indivíduo não tem necessariamente maior compreensão da sociedade ao seu redor. A especialização faz com que haja cada vez menos pessoas que compreendem as condições gerais. Os modernos têm uma dependência cada vez maior de outras pessoas que detenham conhecimento que nos mesmos não temos para que possamos suprir nossas necessidades. Essa seria a perda de sentido para Weber. Isso, portanto, causa uma diminuição da liberdade das pessoas.

E o que une essas inúmeras esferas da sociedade fragmentada e individualizada? Por que as pessoas obedecem?

(das aulas do professor Felipe Gonçalves Silva.).
primeiro, anterior, continuação
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Max Weber II

Campos específicos do trabalho de Weber – Religião, Sociologia Política, Sociologia Econômica.

Sociologia Econômica – Ampliação dos conceitos desenvolvidos por Marx, a esquerda se transforma através de Weber.
O capitalismo é troca de mercadorias com objetivo de obtenção de lucro. Mas isso não é novo, e porque então esse modelo só emplaca na Europa e na modernidade?
Ele chega à conclusão de que grande parte disso se dá pela afinidade eletiva que a ética protestante tem com o capitalismo, e tenta provar que a determinação não é única.
Marx é o grande expoente na economia, e Weber acredita estar complementando a obra de Marx principalmente nos pontos que as teorias de Marx eram "imperfeitas".
A distinção de classes entre capitalistas e trabalhadores contribuiu muito para o conhecimento da sociedade, porém diz que essa é uma divisão incompleta, e propõe a noção de classe possuidora e de classe produtora e diz que essas duas novas categorias não estão vinculadas à posse dos meios de produção. A diferenciação se dá entre status e classe em uma hierarquia social, ou seja, há pessoas (profissionais liberais) que não dispõem dos meios de produção de sua atividade e, no entanto, sua posição na hierarquia social é grande, pois esta é medida pelo seu poder de compra. Por sua vez, há alguns que detém os meios de produção (pequeno produtor, industrial), porém sua posição na hierarquia não é o mais alto.
O status social é composto de elementos não econômicos que influenciam na estratificação social.
Por isso não é possível obter uma adequada compreensão das diferenças na estratificação social tomando por base apenas a detenção dos meios de produção.

Crítica às generalizações indevidas na leitura do capitalismo ocidental. Marx generalizou para a Europa uma situação vivida na Inglaterra no final dos 70 no séc. XIX, que seria a economia de livre mercado, e sua tendência autodestrutiva do capitalismo. Não existe enfim, nas principais economias, este mercado de livre concorrência, pois há um controle do estado na economia para conter o caráter destrutivo do livre mercado e da livra concorrência.

Quanto à tese do descontentamento da classe trabalhadora que levaria a Europa a uma revolução, torna-se impossível uma vez que a crescente demanda dos setores de serviços nas grandes cidades europeias daria lugar aos trabalhadores desalojados pela mecanização da indústria e por isso o descontentamento dos trabalhadores não será tão grande.
A esfera econômica interfere sim diretamente na formação dos setores sociais, porém não exclui a influência de outros setores como, por exemplo, a ética protestante, que permitiu o desenvolvimento do capitalismo na idade moderna, segundo Weber, ou o Estado. E assim as afinidades eletivas que vão sendo mais necessárias são incorporadas pelo capitalismo que se transforma pela determinação recíproca entre os setores que se aproximam dele.

(das aulas do professor Felipe Gonçalves Silva.).
anterior, continuação
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Max Weber I

Duas hipóteses iniciais pra Weber:
1. O universo social é infinito.
A realidade empírica é infinitamente mais rica que o conhecimento produzido sobre ela, portanto, não há como elaborar teorias que alcancem a totalidade social.
Sempre que se estuda um fenômeno, é necessário que se faça um recorte da realidade, esse recorte se orienta por uma escolha pautada por interesses individuais. Esse interesse pessoal é que irá moldar o ponto de vista pelo qual o cientista estudará os fenômenos, portanto, tais interesses tornam os estudos falhos, ou seja, incapazes de explicar a totalidade social.
2. Não existe um ponto de vista único que nos leve a totalidade social (Metáfora do cubismo).
A maneira de encarar a realidade produzida pela sociologia de Weber é a do tipo ideal, que se trata de um recorte no universo social, no qual um cientista se propõe a definir as características mais essenciais de um objeto de estudo social. Os limites destes tipos ideais são pontos de vista dos cientistas que tentam explicar esses tipos. É justamente esse limite que faz com que as teorias se abram ao diálogo com outras visões, outros tipos, que por sua vez revelam outros aspectos que foram eleitos por outras pessoas para explicar um assunto, e por fim, é desse debate entre os diversos tipos ideais que uma teoria vai sendo reafirmada ou refutada ao longo da história.

O conceito de Afinidade Eletiva trata-se da tendência de algumas esferas da sociedade, de se aproximarem mais ou menos uma das outras devido a determinado momento histórico.
A sociologia Weberiana flui por duas vertentes: Causal e Compreensiva
- Sociologia causal:
Causalidade Histórica- o historiador relaciona acontecimentos de forma perfilada e ideal, apontando eventos históricos pontuais, em uma sucessão linear.
Causalidade Sociológica – a sociologia aponta os movimentos que geram os eventos pontuais, ou seja, são os porquês que geram as mudanças sociais.
Ambas são complementares, e a partir desse modelo Weber propõe novas explicações para os fatos históricos.
- Sociologia compreensiva:

Teoria da Ação social – conduta dotada de sentido, tentando afastar condutas meramente reativas, e uma conduta social é a conjunção entre reação e significado.
Cabe ao sociólogo estudar os diferentes sentidos entre as ações sociais, assim, elenca alguns tipos ideais puros:
Ação racional com respeito a fins: técnica, calculista instrumental, que calcula sempre os melhores meios para obtenção dos fins.
Ação racional com respeito a valores: motivada pelas convicções de determinados valores éticos e religiosos.
Ação tradicional: motivada automaticamente por costume inerte.
A tendência das sociedades modernas é serem orientadas pelas ações racionais, o que não quer dizer que não existirão mais as outras ações, porém estas estarão cada vez mais ligadas à esfera privada.

É preciso mediar os dois âmbitos de análise sociológica a causal e a compreensiva, criando uma relação social, pois há uma expectativa de condutas que nos permitem presumir um comportamento alheio, mas nem sempre. A relação social trata das expectativas de condutas que são compartilhadas pelos indivíduos e assim vinculam seu comportamento.
Portanto há um vínculo entre o comportamento e algumas regras, o que faz com que a quebra dessas regras geram rompimentos nos comportamentos sociais.

(das aulas do professor Felipe Gonçalves Silva.).
continuação
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